Vazão de bico injetor

Duas contas que se encontram: qual bico a potência que você quer exige, e qual potência o bico que você tem consegue alimentar. No meio delas está o tempo de injeção — que a rotação encurta e é onde o bico realmente acaba.

Combustível

+
100% A 100% B
A barra mistura por volume, que é como se mistura no tanque. As propriedades que a combustão enxerga — relação ar/combustível, poder calorífico e consumo específico — são por massa, e a conversão entre as duas é feita pela densidade de cada combustível. Todos os valores podem ser ajustados abaixo se você tiver dados melhores do seu combustível.

BSFC de cada combustível

Combustível BSFC (lb/hp·h) Supõe λ Eficiência
implicada em λ 1
Referência
do combustível
Veredito
É o número que mais manda no tamanho do bico, e o único que não sai de geometria nem de folha de dados — sai de ensaio. Ajuste antes de rodar a conta. O valor de fábrica de cada combustível é derivado da eficiência que ele entrega num motor bem acertado, e por isso a tabela nasce toda em realista. A referência não é a mesma para todos: álcool resfria a admissão e aceita mais avanço, então metanol a 34,8% é honesto onde gasolina a 34,8% seria fantasia. Subir o BSFC erra para o lado seguro (bico com folga); baixar deixa o bico pequeno — e é por isso que as faixas do veredito são assimétricas, com mais tolerância para baixo que para cima.

Motor

Consumo específico

BSFC é quanto de combustível o motor gasta por unidade de potência por hora. Duty cycle acima de 85% é onde o bico deixa de ser linear e começa a perder o controle da dosagem.
O acréscimo por sobrealimentação começa em zero, de propósito. A conta antiga pedia de 10 a 20%, e isso cobrava duas vezes: o campo de λ logo abaixo já corrige a mistura rica, que é a maior parte do consumo extra de um turbo. O que sobra para este fator é só a perda de eficiência — avanço atrasado por detonação, mais calor jogado no escape — e num motor moderno de injeção direta isso costuma ser desprezível, porque ele compensa com menos atrito relativo e menos bombeamento. Começando em zero, esta página entrega o mesmo consumo que a de bomba e linha para o mesmo carro, que é como tem de ser. Se o seu motor é sabidamente ineficiente em carga plena, 5 a 8% é a faixa defensável — acima disso você está pedindo bico para um consumo que o motor não tem.
BSFC e eficiência são o mesmo número. Os dois campos acima escrevem no mesmo lugar — digite no que você entender melhor, e o outro acompanha. A ponte entre eles é o poder calorífico do combustível: η = 3600 ÷ (BSFC[g/kWh] × PCI[MJ/kg]). Serve de conferência: motor de ignição por centelha bem acertado fica entre 28 e 36% quando corrigido para λ 1. Se aparecer 40%, o BSFC está otimista e o bico vai sair pequeno.
Tempo morto é o atraso entre o comando e a agulha sair do assento — de 0,6 a 1,4 ms num bico de alta impedância a 13,8 V, mais em bico grande e em tensão baixa. Nesse pedaço do pulso não passa combustível, e como o ciclo encurta com a rotação e o tempo morto não, a perda cresce em cima: 1 ms tira 6,9% da janela a 7000 rpm e 8,9% a 9000. É a diferença entre a conta de vazão estática e o que o bico entrega medido. O número exato está na folha do fabricante ou na tabela de latência da sua ECU.
Sobre o lambda. O BSFC de tabela não é de λ 1 — ele já vem de um acerto rico de potência, e cada combustível tem o seu. O campo acima corrige para a mistura que você roda: a potência vem do ar, e o ar que cabe no motor não muda, então para a mesma potência a vazão de combustível anda com 1 ÷ λ. Descer de 0,88 para 0,78 pede 13% mais bico.

Pressão

A vazão anda com a raiz quadrada da pressão: para ganhar 10% de vazão você precisa de 21% mais pressão. É por isso que subir pressão raramente salva um bico pequeno demais.
O que conta é o diferencial, não o manômetro. O bico vaza pela diferença entre o trilho e o coletor, e a vazão de catálogo é medida num diferencial — quase sempre 3 bar, em bancada, esguichando para a atmosfera. Com regulador 1:1 o trilho sobe junto com o turbo e o diferencial não muda; é exatamente para isso que ele existe. Com pressão fixa o diferencial desaba em carga: 4 bar de trilho com 1,5 bar de turbo são 2,5 bar de ΔP, e o bico entrega 9% menos que o catálogo de 3 bar — não 15% mais. Esses campos são os mesmos da calculadora de bomba e linha, de propósito.

O bico que eu tenho

Preencha para ver quanta potência esse bico alimenta com o combustível e a pressão escolhidos, e em que rotação o tempo de injeção aperta.

Curva de potência do motor

Arraste os pontos para desenhar a curva do seu motor, um a cada 1000 rpm. A linha de torque aparece sozinha, pela conta inversa T = P × 9549 ÷ rpm — e é ela que manda na largura de pulso. Entre um ponto e outro é reta, sem suavizar.

Começar de:
A escala vai até a potência de pico que você informou no cartão do motor. Rotações acima do corte ficam de fora. O ponto mais alto da curva é o que dimensiona o bico, porque o duty acompanha a potência; já o pulso mais largo aparece onde o torque é maior, que costuma ser outro lugar da faixa. Dá para arrastar com o mouse ou o dedo, e também clicar num ponto e usar as setas do teclado.

Resultado

Tempo de injeção por rotação

Tabela por rotação

RPM Tempo de ciclo
(ms)
Janela no duty
máximo (ms)
Potência
nessa rotação
Torque
(kgf·m)
Combustível por
injeção (mg)
Tempo exigido
(ms)
Duty
resultante
Situação
O tempo exigido é a largura de pulso comandada que a carga daquela rotação pede, com o bico e o diferencial escolhidos — já incluindo o tempo morto. Ele acompanha a coluna de torque: onde o torque é maior, o pulso é maior. Já o duty acompanha a potência, porque o ciclo encurta com a rotação — é por isso que o bico satura em cima, mesmo com o pulso máximo acontecendo no meio da faixa. O tempo morto entra torto nessa história: ele é fixo em milissegundos, então pesa mais quanto mais curto o ciclo, e empurra o ponto crítico para rotação mais alta do que a conta de vazão estática indicaria.

Propriedades dos combustíveis

Combustível AFR estequiométrico Densidade (kg/L) Poder calorífico (MJ/kg) Etanol (% vol)
Edite qualquer célula para usar os dados do seu combustível — a mistura e todas as contas se refazem na hora. Os valores de fábrica são de combustível de referência; gasolina de posto varia bastante, e etanol hidratado brasileiro carrega água que muda densidade e AFR. O BSFC tem tabela própria lá em cima, junto do seletor de combustível, porque é o número que mais muda o resultado.
Como os cálculos são feitos

Vazão necessária. O caminho passa pela massa de cada injeção e pelo tempo que ela tem para sair: vazão do bico = massa por injeção ÷ (ciclo × duty − tempo morto). Com a potência em hp e o BSFC em lb/hp·h o consumo sai em lb/h; a conversão para cc/min é pela densidade, porque o bico dosa volume e o motor consome massa: cc/min = lb/h × 453,592 ÷ (densidade × 60). Já a vazão de catálogo em lb/h é outra coisa: é a massa do fluido de teste que o bico passa, e por isso a página converte essa (e o "em lb/h" do resultado) por uma densidade fixa de 0,745 kg/L — um bico de 60 lb/h tem 609 cc/min com qualquer combustível escolhido; o que muda com o combustível é quanta potência esse volume alimenta. A conta clássica potência × BSFC ÷ (nº de bicos × duty) é o caso particular disso com tempo morto igual a zero — que nenhum bico tem.

Tempo morto. A agulha leva de 0,6 a 1,4 ms para sair do assento depois do comando, e nesse pedaço do pulso não passa combustível. O pulso comandado é tempo de vazão + tempo morto, e o duty é medido sobre o comandado. O detalhe que muda o resultado: o tempo morto é fixo em milissegundos e o ciclo encurta com a rotação, então a fração perdida cresce em cima. A 7000 rpm num quatro tempos a janela a 85% tem 14,57 ms e 1 ms de tempo morto tira 6,9% dela; a 9000 rpm tira 8,9%. É por isso que a página varre a curva inteira para dimensionar em vez de olhar só o pico de potência: com tempo morto o gargalo escorrega para rotação mais alta que o pico.

É também a resposta para o desencontro clássico entre a planilha e a bancada. Quem dimensiona por vazão estática acha que um bico de 265 cc/min alimenta 180 cv num 7000 rpm; com 1 ms de tempo morto ele alimenta 168, e o bico que realmente serve é de 284. A latência exata está na folha do fabricante ou na tabela que a sua ECU usa — e ela piora com tensão baixa, porque a bobina do bico demora mais para vencer a mola.

Eficiência térmica é o BSFC de cabeça para baixo. Não é um fator a mais no modelo: é o mesmo número em outra unidade, e a ponte é o poder calorífico. BSFC[g/kWh] = BSFC[lb/hp·h] × 608,277 e η = 3600 ÷ (BSFC[g/kWh] × PCI[MJ/kg]). Os dois campos escrevem no mesmo lugar, então dá para digitar naquele que você entende melhor. Serve de conferência de sanidade, que é difícil fazer em lb/hp·h: gasolina com 0,50 em λ 0,88 dá 27,3%, ou 31% corrigido para λ 1 — aspirado bem acertado. Motor de ignição por centelha não passa de uns 36% ali, então uma leitura de 40% quer dizer BSFC otimista e bico subdimensionado, não motor excepcional. E é por isso que comparar BSFC entre combustíveis sem o PCI não diz nada: o metanol gasta mais que o dobro da gasolina por hora e é mais eficiente que ela.

O lambda entra aqui. O BSFC de tabela não é medido em lambda 1 — ele já vem de um acerto rico de potência, e cada combustível tem o seu (a gasolina em torno de 0,88, o etanol de 0,82, o metanol de 0,70). Como a potência vem do ar e o ar que cabe no motor não muda, para a mesma potência a vazão de combustível anda com o inverso do lambda: BSFC(λ) = BSFC_ref × λ_ref ÷ λ. Descer de 0,88 para 0,78, que é acerto comum de turbo forte, pede 13% mais bico — e é exatamente a margem que costuma faltar quando se dimensiona no limite. O campo vem travado no λ de referência para deixar a suposição à vista; destrave e digite o lambda que você realmente roda. O AFR alvo mostrado é λ × AFR estequiométrico da mistura.

A massa injetada acompanha o torque, não a potência. O que enche o cilindro é ar, e o combustível vai junto na proporção da mistura — então o que cada injeção entrega é proporcional ao torque. A potência é torque × rotação, e o número de injeções por minuto também sobe com a rotação: as duas divisões se cancelam. Daí as duas regras que valem decorar:

massa por injeção ∝ torque (o pulso é mais largo onde o torque é máximo) e duty ∝ potência (o bico satura onde a potência é máxima). São lugares diferentes da faixa, e é por isso que o pulso pode estar no pico lá pelo meio enquanto o aperto de verdade está no corte.

Como a ferramenta não conhece a sua curva de torque, você escolhe a hipótese:

  • Torque constante — a potência sobe reto com a rotação. O pulso sai plano em toda a faixa. É a hipótese clássica de dimensionamento e serve bem para achar a saturação no corte.
  • Curva de torque — uma parábola com pico na rotação que você informar, caindo até a porcentagem que você der no corte (80 a 90% é o comum num aspirado). Mostra o pulso subindo até o pico de torque e cedendo depois, que é o que se vê na bancada.
  • Potência constante — a potência alvo em toda rotação. O pulso cresce com 1 ÷ rotação: 500 cv a 1000 rpm exigem sete vezes o pulso de 500 cv a 7000 rpm. Serve para responder "quanto de bico eu preciso para essa potência nessa rotação"; lembre que embaixo o torque exigido vira ficção.

Repare numa coisa no modo de potência constante: o pulso cresce, mas o duty não muda, porque o tempo de ciclo cresce na mesma proporção. A 1000 rpm o ciclo tem 120 ms, então até um pulso de 20 ms é só 17% de duty. Bico não satura por rotação baixa — satura por potência alta.

Tempo disponível. Num quatro tempos cada cilindro injeta uma vez a cada duas voltas, então o ciclo dura 120000 ÷ RPM milissegundos — 20 ms a 6000 rpm, 12 ms a 10000. O duty cycle é a fatia desse tempo em que o bico fica aberto. A 100% ele nunca fecha, e bem antes disso já perdeu a linearidade: o padrão de projeto é parar em 80 a 85%.

Potência que um bico alimenta. Também é uma varredura, não uma divisão: para cada rotação a ferramenta calcula a folga — massa que cabe na janela útil ÷ massa que a curva pede — e a menor folga da faixa multiplica a potência de pico. Assim a resposta vem com endereço: "alimenta 168 cv de pico, apertando a 7000 rpm". Trocar de gasolina para etanol não muda o bico, muda o BSFC — e como o etanol precisa de bem mais massa para a mesma potência, o mesmo bico alimenta cerca de 30% menos cavalos.

Correção por pressão: o que conta é o diferencial. vazão = vazão_catálogo × √(ΔP_trabalho ÷ ΔP_catálogo), e ΔP = pressão do trilho − pressão do coletor. A vazão de catálogo é medida num diferencial, quase sempre 3 bar, com o bico esguichando para a atmosfera — comparar com pressão de manômetro num motor sobrealimentado erra feio. Com regulador 1:1 o trilho sobe junto com o turbo e o ΔP fica constante, que é a razão de ser desse regulador. Com pressão fixa o ΔP desaba em carga: 4 bar de trilho com 1,5 bar de turbo são 2,5 bar de ΔP, e o bico entrega 9% menos que o catálogo de 3 bar em vez dos 15% a mais que a leitura do manômetro sugeriria — uma diferença de 26% na direção que quebra motor.

A raiz quadrada é o que torna esse caminho pouco generoso: dobrar o diferencial rende só 41% mais vazão, e ainda cobra da bomba e do bico o preço de trabalhar forçados.

Mistura de combustíveis. A barra mistura por volume. A densidade da mistura é a média por volume; AFR, poder calorífico e BSFC são médias pela fração de massa, obtida de massa_A = volume_A × densidade_A. É por isso que um E85 em volume não é 85% em massa — o etanol é mais denso que a gasolina, e a fração de massa fica um pouco maior.

O BSFC da mistura é interpolado por massa, junto com a referência de eficiência de cada combustível — as duas são por massa, então a razão entre elas, que é o veredito, continua valendo na mistura inteira e não só nas pontas. A melhora de rendimento do álcool já está embutida no eficRef de cada um (8% para etanol, 12% para metanol, relativos à gasolina), e é dela que os BSFC de fábrica são derivados. Se você tem número de bancada, use o seu — é para isso que a tabela é editável.

O acréscimo por sobrealimentação, e por que ele começa em zero. Ele já valeu de 10 a 20% e cobrava duas vezes: o campo de λ corrige a mistura rica, que é a maior fatia do consumo extra de um turbo. O que sobra legitimamente para esse fator é a perda de eficiência — avanço atrasado por detonação, mais calor no escape — e num motor moderno de injeção direta isso some no ruído, porque ele compensa com menos atrito relativo e menos bombeamento. Com λ 0,78 digitado e 15% no campo, o mesmo efeito era pago duas vezes e o bico saía grande à toa.

Hoje o campo nasce em 0, e a razão é de coerência: a calculadora de bomba e linha nunca aplicou fator nenhum, então qualquer valor aqui faria as duas páginas calcularem demanda diferente para o mesmo carro. Partindo de zero, as duas concordam — e quem tem motivo para achar o motor ineficiente em carga plena sobe para os 5 a 8% que são defensáveis, ciente de que aí as duas divergem.