Duas contas que se encontram: qual bico a potência que você quer exige, e qual potência o bico que você tem consegue alimentar. No meio delas está o tempo de injeção — que a rotação encurta e é onde o bico realmente acaba.
| Combustível | BSFC (lb/hp·h) | Supõe λ | Eficiência implicada em λ 1 |
Referência do combustível |
Veredito |
|---|
η = 3600 ÷ (BSFC[g/kWh] × PCI[MJ/kg]). Serve de conferência: motor de ignição por centelha bem acertado fica entre 28 e 36% quando corrigido para λ 1. Se aparecer 40%, o BSFC está otimista e o bico vai sair pequeno.1 ÷ λ. Descer de 0,88 para 0,78 pede 13% mais bico.Arraste os pontos para desenhar a curva do seu motor, um a cada 1000 rpm.
A linha de torque aparece sozinha, pela conta inversa T = P × 9549 ÷ rpm — e é ela que manda na
largura de pulso. Entre um ponto e outro é reta, sem suavizar.
| RPM | Tempo de ciclo (ms) |
Janela no duty máximo (ms) |
Potência nessa rotação |
Torque (kgf·m) |
Combustível por injeção (mg) |
Tempo exigido (ms) |
Duty resultante |
Situação |
|---|
| Combustível | AFR estequiométrico | Densidade (kg/L) | Poder calorífico (MJ/kg) | Etanol (% vol) |
|---|
Vazão necessária. O caminho passa pela massa de cada injeção e pelo tempo que ela tem para sair:
vazão do bico = massa por injeção ÷ (ciclo × duty − tempo morto). Com a potência em hp e o BSFC em
lb/hp·h o consumo sai em lb/h; a conversão para cc/min é pela densidade, porque o bico dosa volume e o motor
consome massa: cc/min = lb/h × 453,592 ÷ (densidade × 60). Já a vazão de catálogo em lb/h
é outra coisa: é a massa do fluido de teste que o bico passa, e por isso a página converte essa (e o "em lb/h" do
resultado) por uma densidade fixa de 0,745 kg/L — um bico de 60 lb/h tem 609 cc/min com qualquer combustível
escolhido; o que muda com o combustível é quanta potência esse volume alimenta. A conta clássica
potência × BSFC ÷ (nº de bicos × duty) é o caso particular disso com tempo morto igual a zero — que
nenhum bico tem.
Tempo morto. A agulha leva de 0,6 a 1,4 ms para sair do assento depois do comando, e nesse pedaço do
pulso não passa combustível. O pulso comandado é tempo de vazão + tempo morto, e o duty é medido sobre
o comandado. O detalhe que muda o resultado: o tempo morto é fixo em milissegundos e o ciclo encurta com a rotação,
então a fração perdida cresce em cima. A 7000 rpm num quatro tempos a janela a 85% tem 14,57 ms e 1 ms de
tempo morto tira 6,9% dela; a 9000 rpm tira 8,9%. É por isso que a página varre a curva inteira para dimensionar em
vez de olhar só o pico de potência: com tempo morto o gargalo escorrega para rotação mais alta que o pico.
É também a resposta para o desencontro clássico entre a planilha e a bancada. Quem dimensiona por vazão estática acha que um bico de 265 cc/min alimenta 180 cv num 7000 rpm; com 1 ms de tempo morto ele alimenta 168, e o bico que realmente serve é de 284. A latência exata está na folha do fabricante ou na tabela que a sua ECU usa — e ela piora com tensão baixa, porque a bobina do bico demora mais para vencer a mola.
Eficiência térmica é o BSFC de cabeça para baixo. Não é um fator a mais no modelo: é o mesmo número em
outra unidade, e a ponte é o poder calorífico. BSFC[g/kWh] = BSFC[lb/hp·h] × 608,277 e
η = 3600 ÷ (BSFC[g/kWh] × PCI[MJ/kg]). Os dois campos escrevem no mesmo lugar, então dá para digitar
naquele que você entende melhor. Serve de conferência de sanidade, que é difícil fazer em lb/hp·h: gasolina com
0,50 em λ 0,88 dá 27,3%, ou 31% corrigido para λ 1 — aspirado bem acertado. Motor de ignição por centelha não passa
de uns 36% ali, então uma leitura de 40% quer dizer BSFC otimista e bico subdimensionado, não motor excepcional.
E é por isso que comparar BSFC entre combustíveis sem o PCI não diz nada: o metanol gasta mais que o dobro da
gasolina por hora e é mais eficiente que ela.
O lambda entra aqui. O BSFC de tabela não é medido em lambda 1 — ele já vem de um acerto rico de
potência, e cada combustível tem o seu (a gasolina em torno de 0,88, o etanol de 0,82, o metanol de 0,70).
Como a potência vem do ar e o ar que cabe no motor não muda, para a mesma potência a vazão de combustível anda
com o inverso do lambda: BSFC(λ) = BSFC_ref × λ_ref ÷ λ. Descer de 0,88 para 0,78, que é acerto
comum de turbo forte, pede 13% mais bico — e é exatamente a margem que costuma faltar quando se dimensiona
no limite. O campo vem travado no λ de referência para deixar a suposição à vista; destrave e digite o lambda
que você realmente roda. O AFR alvo mostrado é λ × AFR estequiométrico da mistura.
A massa injetada acompanha o torque, não a potência. O que enche o cilindro é ar, e o combustível vai junto na proporção da mistura — então o que cada injeção entrega é proporcional ao torque. A potência é torque × rotação, e o número de injeções por minuto também sobe com a rotação: as duas divisões se cancelam. Daí as duas regras que valem decorar:
massa por injeção ∝ torque (o pulso é mais largo onde o torque é máximo) e
duty ∝ potência (o bico satura onde a potência é máxima). São lugares diferentes da faixa,
e é por isso que o pulso pode estar no pico lá pelo meio enquanto o aperto de verdade está no corte.
Como a ferramenta não conhece a sua curva de torque, você escolhe a hipótese:
1 ÷ rotação:
500 cv a 1000 rpm exigem sete vezes o pulso de 500 cv a 7000 rpm. Serve para responder "quanto de bico eu
preciso para essa potência nessa rotação"; lembre que embaixo o torque exigido vira ficção.Repare numa coisa no modo de potência constante: o pulso cresce, mas o duty não muda, porque o tempo de ciclo cresce na mesma proporção. A 1000 rpm o ciclo tem 120 ms, então até um pulso de 20 ms é só 17% de duty. Bico não satura por rotação baixa — satura por potência alta.
Tempo disponível. Num quatro tempos cada cilindro injeta uma vez a cada duas voltas, então o ciclo dura
120000 ÷ RPM milissegundos — 20 ms a 6000 rpm, 12 ms a 10000. O duty cycle é a fatia desse tempo em
que o bico fica aberto. A 100% ele nunca fecha, e bem antes disso já perdeu a linearidade: o padrão de projeto é
parar em 80 a 85%.
Potência que um bico alimenta. Também é uma varredura, não uma divisão: para cada rotação a ferramenta
calcula a folga — massa que cabe na janela útil ÷ massa que a curva pede — e a menor folga da
faixa multiplica a potência de pico. Assim a resposta vem com endereço: "alimenta 168 cv de pico, apertando a
7000 rpm". Trocar de gasolina para etanol não muda o bico, muda o BSFC — e como o etanol precisa de bem mais massa
para a mesma potência, o mesmo bico alimenta cerca de 30% menos cavalos.
Correção por pressão: o que conta é o diferencial. vazão = vazão_catálogo ×
√(ΔP_trabalho ÷ ΔP_catálogo), e ΔP = pressão do trilho − pressão do coletor. A vazão de catálogo
é medida num diferencial, quase sempre 3 bar, com o bico esguichando para a atmosfera — comparar com pressão de
manômetro num motor sobrealimentado erra feio. Com regulador 1:1 o trilho sobe junto com o turbo e o ΔP fica
constante, que é a razão de ser desse regulador. Com pressão fixa o ΔP desaba em carga: 4 bar de trilho com
1,5 bar de turbo são 2,5 bar de ΔP, e o bico entrega 9% menos que o catálogo de 3 bar em vez dos 15% a mais que a
leitura do manômetro sugeriria — uma diferença de 26% na direção que quebra motor.
A raiz quadrada é o que torna esse caminho pouco generoso: dobrar o diferencial rende só 41% mais vazão, e ainda cobra da bomba e do bico o preço de trabalhar forçados.
Mistura de combustíveis. A barra mistura por volume. A densidade da mistura é a média por volume; AFR,
poder calorífico e BSFC são médias pela fração de massa, obtida de
massa_A = volume_A × densidade_A. É por isso que um E85 em volume não é 85% em massa — o etanol é mais
denso que a gasolina, e a fração de massa fica um pouco maior.
O BSFC da mistura é interpolado por massa, junto com a referência de eficiência de cada combustível — as
duas são por massa, então a razão entre elas, que é o veredito, continua valendo na mistura inteira e não só nas
pontas. A melhora de rendimento do álcool já está embutida no eficRef de cada um (8% para etanol, 12%
para metanol, relativos à gasolina), e é dela que os BSFC de fábrica são derivados. Se você tem número de bancada,
use o seu — é para isso que a tabela é editável.
O acréscimo por sobrealimentação, e por que ele começa em zero. Ele já valeu de 10 a 20% e cobrava duas vezes: o campo de λ corrige a mistura rica, que é a maior fatia do consumo extra de um turbo. O que sobra legitimamente para esse fator é a perda de eficiência — avanço atrasado por detonação, mais calor no escape — e num motor moderno de injeção direta isso some no ruído, porque ele compensa com menos atrito relativo e menos bombeamento. Com λ 0,78 digitado e 15% no campo, o mesmo efeito era pago duas vezes e o bico saía grande à toa.
Hoje o campo nasce em 0, e a razão é de coerência: a calculadora de
bomba e linha nunca aplicou fator nenhum, então qualquer valor aqui faria as
duas páginas calcularem demanda diferente para o mesmo carro. Partindo de zero, as duas concordam — e quem tem
motivo para achar o motor ineficiente em carga plena sobe para os 5 a 8% que são defensáveis, ciente de que aí as
duas divergem.