Soma tudo que sobra de volume com o pistão no ponto morto superior — câmara, junta, deck e o que o pistão tira ou devolve — e compara com o volume deslocado. Também faz o caminho inverso: você diz a taxa que quer e ele diz o que precisa mudar.
| Parcela do volume no PMS | Fórmula | Volume (cc) | Fatia |
|---|
Quanto a taxa anda quando você mexe em cada coisa, a partir da configuração atual.
| Alteração | Volume no PMS | Taxa resultante | Variação |
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Taxa de compressão estática. É a razão entre o volume total acima do pistão no ponto morto inferior e o
que sobra no ponto morto superior: TC = (V_deslocado + V_PMS) ÷ V_PMS.
Volume deslocado por cilindro. V = π ÷ 4 × diâmetro² × curso, com as medidas em milímetros e
dividindo por 1000 para chegar em cm³.
Volume no PMS é a soma de quatro parcelas: a câmara do cabeçote (medida com bureta), a junta
(π ÷ 4 × furo² × espessura, usando o furo da junta e a espessura já comprimida), o deck
(π ÷ 4 × diâmetro² × deck, o cilindro de ar que sobra entre o pistão e o topo do bloco) e o
topo do pistão — que soma se for valeta e subtrai se for domo.
Caminho inverso. Para uma taxa alvo, o volume no PMS necessário é
V_PMS = V_deslocado ÷ (TC − 1). A diferença para o volume atual é o quanto falta tirar ou acrescentar,
e daí saem as três saídas: mudar a câmara, mudar a espessura da junta, ou mudar o deck. A conversão de volume para
milímetros de junta é Δmm = Δcc × 1000 ÷ (π ÷ 4 × furo²).
Deck pela geometria do conjunto. Em vez de medir o deck, dá para calcular ele pelas peças:
deck = altura do bloco − (curso ÷ 2 + biela + altura de compressão). A altura do bloco é do centro
do virabrequim até a face do cabeçote, e a altura de compressão é do centro do pino até o topo do pistão.
É assim que se escolhe conjunto: fixa o bloco, mexe em biela e pistão, e vê o deck — e a taxa — andarem junto.
Resultado negativo significa pistão passando da face do bloco, o que exige junta mais grossa para não bater.
Checagem de interferência. Conjunto que fecha na planilha e não monta na bancada é o pior resultado possível,
então a página confere o que os números permitem conferir: se a biela fecha o círculo do virabrequim, se o conjunto
cabe na altura do bloco, se a altura de compressão comporta pino e anéis, e se sobra folga entre o topo do pistão e
o cabeçote depois de descontar a junta. A folga usual mínima é 1,0 mm com biela de aço e
1,3 a 1,5 mm com biela de alumínio, porque o conjunto dilata e a biela estica com a rotação — biela
curta estica mais.
O que ela não enxerga: a saia do pistão contra o contrapeso do virabrequim, o parafuso da biela contra a saia do bloco, a forma do domo contra a câmara, e o alívio das válvulas contra a alçada do comando. Essas quatro só se resolvem montando a seco com massa de modelar.
Um aviso sobre a taxa estática. Ela não diz sozinha se o motor vai detonar. O que manda é a pressão real no cilindro, que depende de quando a válvula de admissão fecha, da pressão de admissão e do combustível. Motor com comando bravo fecha a admissão tarde, perde parte do curso de compressão e tolera taxa estática bem mais alta do que a mesma taxa num comando de série.